Mais uma Copa do Mundo com suas questões sociais, negócios e muitas, muitas paixões – junho 2010 – Mais Capital

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Copa do Mundo 2010

Mais uma Copa do Mundo com suas questões sociais, negócios e muitas, muitas paixões

Por Marcos Linhares

“El Mundial será ganado por un país europeo, que vencerá en la final a Brasil. La selección de mayores posibilidades de éxito es Holanda”. Com essa frase, a imprensa mundial divulgou a previsão do vidente mexicano, Antonio Vázquez, de que o selecionado holandês, levará o caneco para casa. Outra vidente mexicana, Maca, aposta suas fichas na Alemanha, vencendo o Brasil, na final. Mas, o que nos espera na Copa do Mundo 2010, realizada no dito berço da humanidade?

Com certeza, todos esperam um legado real para a população africana. Além dos estádios, sabemos do aeroporto de Joanesburgo, assim como o trem bala, o primeiro trem veloz do continente (160 km/h), chamado de ‘Gautrain’. Belo nome, resultado da mescla entre ‘train’ (trem) e Gauteng (província onde está Joanesburgo). Com isso, pode-se ir do aeroporto de Joanesburgo ao bairro de Sandton, no centro da cidade. Mas, quantos sul-africanos, negros, andam de avião? E quanto a segregação, essa é um capítulo à parte. Relatos de repórteres do canal esportivo ESPN Brasil, dão conta que “ a separação entre negros e brancos, entretanto, ainda parece vigorar no transporte público de Joanesburgo. Nas filas de ônibus ou trens da cidade, fica clara a separação dos cidadãos”. Reticências e perguntas pelo ar.

A África do Sul é um país com dados que fazem pensar: uma população com 48,7 milhões, taxa de desemprego de 23,2; inflação de 9,5%; expectativa de vida de somente 49 anos e mortalidade infantil de 45 para cada 1.000 recém-nascidos, o país estimna ter  ter gasto R$ 8 bilhões para organizar a Copa do Mundo Fifa 2010.

Com tais números, as perguntas que chegam são várias. Nossa reportagem tentou conseguir as respostas a algumas delas, por cerca de 20 dias. Mandamos solicitação formal à embaixada, chegamos até a mandar as perguntas, antecipadamente, mas não conseguimos respostas e entrevistado… A tônica das perguntas? O legado…

Por falar em legado, o centro de Joanesburgo, é considerado barra pesada: “o centro de Joanesburgo é um dos lugares mais perigosos do mundo. Conhecida como Hillbrow, a área tem até cartão postal, o Ponte City, edifício de 54 andares com a melhor vista da cidade. Mas só malucos vão até lá com uma câmera no pescoço. Evite dar bobeira na região da Park Station mesmo à luz do dia”, escreveu Fernando Valeika de Barros, em publicação recente. Contudo, nem mais para lá, nem para cá… No mesmo texto, sabemos que “com impostos camaradas, fazer compras é um programão”, revelou Barros.

bola

Mas, e o futebol? Bem, ele é mágico e oferece chances iguais para ricos e pobres. Basta ver o nível de formação educacional dos jogadores de nossa seleção verde-amarela…Sofrível, é claro. Por isso, o futebol congrega famílias, emociona ao ver que mesmo os mais fracos podem marcar gols nos mais fortes – vide o gol da “titânica” seleção de Zimbábue na estrelada seleção brasileira. Ele faz sonhar todo o planeta. E para quem falava em rúgbi, se esquece que esse é esporte de ricos, e normalmente, de brancos. O esporte popular e inclusivo é realmente o futebol. Vide a seleção anfitriã: composta de negros e tendo apenas o zagueiro Matthew Booth, como o único representante branco da equipe.

Para quem anda pelo mundo, e na África do Sul não é diferente, é fácil encontrar meninos, homens e até senhores de idades mais avançadas, suados, correndo em campos de várzea, esburacados, e com um sorriso inexplicável no rosto.

Futebol é isso. E acima de tudo, é espetáculo. Armações mil ( as bilheterias que o digam). E negócios, é claro. Não para a população da África do Sul, é claro. Mas, para a Fifa, as Confederações e os jogadores, é claro. A cifra exata, só em prêmios, é de R$ 55 milhões.(vide Box)

Os prêmios

Campeão: US$ 31 milhões

Vice: US$ 24 milhões

Semifinalistas: US$ 20 milhões

Quartas de final: US$ 18 milhões

Oitavas de final: US$ 9 milhões

Primeira rodada: US$ 8 milhões

Em relação ao Brasil, para o redator do New Republic e colaborador assíduo da revista Slate, autor do livro Como o futebol explica o mundo, Franklin :Foer, “mas enquanto o estilo brasileiro e alguns jogadores do país prosperaram na economia global, o Brasil em si não. No mundo todo, o futebol não é conhecido pelo apego à ética”, afirmou.

De qualquer forma, futebol é assunto complexo e apaixonante. E longe de críticas, é indescritível a emoção sentida quando a bola toca as redes – mesmo quando elas não existem – e o grito preso é solto. Por isso, iremos cobrir a Copa, em blog especial no site da revista Mais Capital. Iremos acompanhar e dividir as emoções, os olhares e a vontade de relatar que, essa mágico e paradoxal esporte conseguirá fazer a África do Su unir-se mais, fazendo mãos brancas e negras segurarem juntas, a mesma bandeira.

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