Na Faixa de Ivaldo

IMG_5391.JPG tema: Anjos do Picadeiro

Divido aqui “Na faixa de Ivaldo”,  matéria feita pelo Gabriel Alves, em 2009, para a revista na qual fui diretor de redação, a Fale Brasília!

Na Faixa de Ivaldo

Há mais de 25 anos no fotojornalismo, Ivaldo Cavalcante romantiza e denuncia o
caos a metros do Congresso Nacional.

Por Gabriel Alves

A capital do Brasil foi arquitetada por Niemeyer e Lúcio Costa, humanizada por Darci
Ribeiro e registrada por Ivaldo Cavalcante. O fotografo chegou a Brasília com quatro anos de idade em cima de um caminhão pau de arara com a tia Luzanira e mais oito irmãos e foram direto para Taguatinga de onde nunca mais saiu com o sonho e a esperança de melhores condições.

Nada foi fácil na vida de Ivaldo, mas teve uma infância como a de qualquer outra
criança nas ruas de “Tagua”, como gosta de chamar, não faltaram brincadeiras como
carrinho de rolimã, patinete, bola de gude e pipa. Antes de apaixonar por fotografia,
foi engraxate, vendeu pirulitos, picolé e além das bagunças como roubar gasolina de
carros com seus amigos da época Gim Argello e o Marcola, dono da
rede Gasolline de postos de combustível para colocar nas mobiletes. “Veja só como
é a vida”, filosofa.

Antes da escrita com a luz, conheceu a serigrafia, nas telas imprimiu e vendeu
centenas de camisetas com rostos de seus ídolos do rock and roll como Jimmi
Hendrix, Led Zeppelin, Janis Joplin, Yes, Beatles, e outros ícones da década de
setenta. Na mesma época morava no mercado sul reduto de prostitutas, assaltantes,
vagabundos, alcoólatras, poetas e outros seres que habitam o submundo nas entranhas
da capital. Lá começou a fotografar o mundo em que vivia, já que morava ali e
conhecia todos. “Tenho fotos lindas que nunca foram publicadas”, revela o fotografo.

A fotografia chegou em sua vida através de um amigo que lhe presenteou com um kit
de laboratório fotográfico do Instituto Universal Brasileiro. Em seguida fez um curso
de fotografia, largou o supletivo e tinha certeza que seria fotografo o resto da vida.
“Fiquei encantado com a química e de como elas podiam interferir em um papel
fotográfico”, romantiza o fotógrafo.

Há mais de 25 anos no fotojornalismo, passou pelos jornais Correio Brazilliense,
Jornal de Brasília, JBR e atualmente é fotografo da sucursal de Brasília do jornal
mineiro Hoje em Dia. Fotografou momentos importantes da história do Brasil e de
Brasília, presidentes, manifestações, ditadura militar, diretas já. Nos anos 80 registrou
momentos importantes da cultura candanga, show de bandas que fizeram história na
cidade e no Brasil, como Legião Urbana, Plebe Rube, Capital Inicial, Mel da Terra,
tudo no saudoso teatro Rolla Pedra, onde começou os primeiros shows do movimento
punk, culturas de todo o Brasil se encontrando e Ivaldo vendo tudo através de suas
lentes.

Desde de que começou fotografar dedica-se em registrar crianças de rua e atualmente
tem o maior orgulho de contribuir na ONG de Jimmy Page, o eterno guitarrista dabanda Led Zeppelin um de seus ídolos e sua esposa Jimena Page, a Action for Brazil‘s
Childen Trust que tem a função de ajudar meninos de rua que beneficia mais 5
estados brasileiros. “Para mim é a realização de um sonho“, releva. Um trabalho
belíssimo e muito forte que vem fazendo desde que se apaixonou pelo
fotojornalismo. “Era um dos milhares de jovens que sonhava com as guitarra de
Jimmy Page, ficava perto da caixa de som para ouvir os tímpanos tremerem ao som
de sua guitarra”, conta. “Quem não tinha na cabeça uma guitarra imaginária de
Jimmy?”, pergunta.

Hoje em Taguatinga tem um bar que se chama Faixa de Gaza onde na decoração
pôsteres e cartazes que relevam todas as suas paixões, além da fotografia, o cinema e
a música ocupa um grande espaço o coração do artista. O lugar abre as sábados e tem
o público cativo, formado principalmente por amigos de muitos anos e como ele
apaixonados por arte. “Aqui é meu canto”, conta o fotografo.

Em 1994 recebeu o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha de Fotografia
com melhor foto do ano. Apaixonado por “Tagua” em 1999 lançou o livro
Taguatinga: Duas décadas de cultura com fotos memoráveis que conta toda a historia
cultura da cidade através de sua visão. Em 2005 lançou o livro Brasília 25 anos de
fotojornalismo que é a junção de anos de trabalho, denuncia como a da prostituição
infantil no DF, momentos políticos marcantes, ensaios em inferninhos de beira de
estrada. Tem no curriculum nove prêmios da fundação Volpe Stessens, nove foto no
museu internacional de fotografia, 15 exposições individuais e 25 exposições
coletivas..

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