Ensino Público: Por que não funciona? – Fale!Brasília junho 2009

Fale Brasilia MATERIA EDUCAÇÃO CAPA 00 (1)-1

Matéria de 2009 aponta que continuamos com os mesmos problemas

Por que não funciona?

Enquanto o Ministério da Educação garante que a educação melhora no Brasil, há poucos quilômetros dali, alunos de escola pública do DF ameaçam professores de morte

Por Rafael Oliveira e Marcos Linhares

Da equipe Fale!Brasília

 É necessário uma reforma educacional brusca e profunda, como aconteceu nos países iguais ao nosso, no século passado. Enquanto for assim, o processo será muito lento”, João Batista Oliveira,

As teorias matemáticas, físicas, químicas são decoradas, e os próprios professores não entendem as teorias que ensinam, segundo Carlos Henrique Araújo especialista em educação

Professores sendo espancados e com medo de dar aulas, diretores sendo assassinados, meninos com dificuldades em ler e escrever e mal conseguindo fazer contas básicas de somar e subtrair. O fato é que a educação brasileira está mal das pernas. Apesar de uma aparente melhora nos resultados das avaliações, para especialistas ainda é muito pouco.

A Prova Brasil de 2007, de Língua Portuguesa da 4ª série, revelou um desastre dos esforços empenhados pelo Ministério da Educação. Nenhuma capital brasileira atingiu a nota mínima esperada, ou seja, os professores não conseguem ensinar ou os alunos não conseguem aprender (ou quem sabe, ambos). Apesar dos investimentos governamentais, a que se deve esse triste resultado? A capital do Brasil ocupa o segundo lugar do ranking, em relação à prova citada. A campeã foi Campo Grande (MT) e Natal (RN) ocupa o último lugar. Lembramos que a campeã não conseguiu alcançar a média mínima, ou seja, a campeã nem passou de ano, reprovou.

A realidade da educação brasiliense é um reflexo do restante do país. Talvez em menor proporção. Para o diretor da Escola Classe 104, Marcus Vianna, situada na Asa Norte, em Brasília, “os resultados insatisfatórios das avaliações educacionais são espelho da forma como a educação é tratada no país”, desabafa.

“Somos o país do assistencialismo, se fossemos da educação, seríamos mais independentes”, denuncia o sociólogo, ex-diretor de Educação Básica do Inep e criador da Prova Brasil, Carlos Henrique Araújo. Em meio ao “caos que é a educaçãobrasileira”, segundo o especialista João Batista Oliveira, o MEC lançou este ano o Ensino Médio Inovador. Segundo o programa “busca-se uma escola que não se limite ao interesse imediato, pragmático e utilitário”. Enfim, o programa tem como objetivo a melhoria da qualidade do ensino médio brasileiro nas escolas públicas estaduais. Em meios aos esforços do poder público, diretores e especialistas ainda o pensam como medidas pontuais, apenas para apagar o incêndio, depois de apagado, abandona-se a casa queimada.

Os governos enfrentam dois desafios básicos: a universalização e a qualidade do ensino. Existe um problema nestes desafios. Como universalizar mantendo a qualidade? Entende-se por universalizar, a disponibilização de vagas nas escolas para todos. Mas, se com o acesso limitado a qualidade está baixa, como será na proliferação de construções e formação de professores? O diretor Marcus Vianna adverte que “ter título significa que a pessoa teve oportunidade de aprender, mas, não significa que ela aprendeu”, pondera. Partindo desse pensamento, pode-se depreender que os resultados mostram exatamente isso: os professores não aprenderam e não conseguiram passar o pouco aprendido para os alunos.

“ Menor esforço. Está aí um dos problemas culturais de nosso país. Pais, professores e alunos, enfim, todos temos que trabalhar o conceito de que tudo é possível, desde que com suor, trabalho duro, esforço.  Mas como fazer isso? Copia-se e cola-se tudo. Inventam-se mil desculpas para se postergar o trabalho, e quando é possível, ele nem chega a ser feito. Isso passa para todas as esferas. E assim vive a gestão da educação, da saúde, dos Três Poderes,  do país”, desabafa Carlos Henrique Araujo.

            Violência no DF – Há anos, professores sofrem algum tipo de ameaça: física, verbal e moral. O diretor Carlos Mota, diretor do Centro de Ensino Fundamental Lago Oeste, foi assassinado na madrugada do dia 20 de junho de 2008. Até hoje a escola não se recuperou da perda do diretor, um educador renomado no DF que sonhava em tornar o Centro de Ensino Fundamental do Lago Oeste (agora CEF Professor Carlos Mota) a melhor escola do Brasil.  A polícia acredita que Carlos Mota foi morto por atrapalhar os negócios dos traficantes ao redor da escola. Três dias antes do assassinato, Carlos esteve em cada uma das salas pedindo aos alunos que denunciassem à polícia qualquer atitude estranha envolvendo ameaças ou drogas, e em outras ocasiões o professor pediu policiamento extra para a escola.

            Segundo dados oficiais da Câmara Legislativa do DF, seis professores são agredidos por semana e cerca de 1.400 agressões por ano. Infelizmente essa rotina é realidade na cidade. Uma falta de respeito com os docentes e a direção das escolas. Por isso, foi pedida a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar a causa de violência na rede pública do DF. A CPI não foi instaurada por falta de assinaturas. Os governistas não apoiaram a Comissão.

Em Guariroba, na região administrativa de Ceilândia (DF), a rotina é a mesma: tráfico de drogas próximo a escola, ameaça de morte e ataques verbais contra a direção. Na primeira quinzena do mês, um aluno de 14 anos ameaçou um professor com faca, após ser repreendido em sala de aula. As agressões não se limitam aos portões da escola, e já alçaram vôos para o novo point de encontro de gangues: a internet. No orkut, um grupo de alunos chegou a perguntar qual a melhor maneira de se matar a professora deles…  Os professores não tiveram dúvida e registraram ocorrência na Delegacia da Criança e Adolescente (DCA). Eles temem que os lauinos não fiquem só no campo das ameaças. Segundo foi divulgado, os aluno chutam o portão, batem nos carros dos docentes e ficam na frente da escola para bloquear a saída dos professores que estão trabalhando sob pressão e medo. O caso mais grave aconteceu quando um aluno tumultuava uma sala de aula. O professor expulsou o aluno e o encaminhou à direção. O aluno fugiu da escola. Quando o professor deixou o colégio, por volta das 18h, se deparou com o aluno, que mostrou uma faca na cintura e o ameaçou de morte. A mãe do rapaz foi chamada à escola e afirmou ter perdido o controle sobre as ações do filho devido à dependência química. A escola vive em clima de tensão. O medo de uma tragédia acompanha a rotina da escola.

            Prova Brasil – A Prova Brasil avalia as habilidades em Língua Portuguesa (foco em leitura) e Matemática (foco na resolução de problemas). A primeira edição foi em 2005, e em 2007 houve nova aplicação. A prova avalia apenas estudantes de ensino fundamental, de 4ª e 8ª séries. A avaliação é quase universal: todos os estudantes das séries avaliadas, de todas as escolas públicas urbanas do Brasil com mais de 20 alunos na série, devem fazer a prova. O último resultado apontou a capital do Mato Grosso, Campo Grande, com a melhor nota, 195 pontos. A pior capital foi Natal, com 155. O Distrito Federal aparece em segundo lugar, com 191. A média mínima esperada é 200. Nenhuma capital atingiu a média mínima. Os dados nacionais da Prova Brasil mostram que 1.246.371 alunos da rede estadual de ensino de 8ª série fizeram a prova e 772.811 alunos de 4ª série. Na rede municipal, foram 548.589 alunos de 8ª série e 1.535.355 de 4ª série. No DF, 31.286 de 4ª série e 19.778 de 8ª série. “O processo educacional é muito complexo, e não é apenas uma coisa que melhora a educação”, disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar. “O primeiro fator de uma educação de qualidade para todos consiste em focalizar a relevância pessoal e social. Ninguém se oporia abertamente a uma formulação que afirmasse que a educação deve servir para que as pessoas e os grupos atuem no mundo, e para que se sintam bem atuando nesse mundo”, alega Cecília Braslavsky em seu livro Dez fatores para uma educação de qualidade para todos no século XXI (editora Moderna e Fundação Santillana).

             Milagre no Harlem – No bairro Harlem, em Nova Iorque, as escolas conhecidas como “no excuses” revolucionaram a educação para crianças de baixo nível socioeconômico e produziram ganhos em pouco tempo. Estas escolas “sem desculpas” ensinam bom comportamento, avaliam permanentemente os resultados dos alunos, mudam os professores de baixo desempenho, e dão aos estudantes o apoio e o tempo necessários para trabalhar e se desenvolver. São também “charter schools”, escolas independentes que atuam com apoio público.

            Boston também abriga várias escolas “sem desculpas”. Das 17 escolas presentes na cidade, sete se destacam pelo alto rendimento dos alunos. As sete escolas superaram dramaticamente escolas públicas de Boston em Inglês e Matemática, onde o nível de habilidade  varia de 33% para 50%, dependendo do grau e disciplina. Além disso, quatro das escolas superaram estudantes na vizinha afluente Brookline, onde apenas 12% dos estudantes são de famílias de baixa renda. Todas, exceto uma das sete escolas de alto desempenho impulsionaram os professores altamente qualificados para conduzir seus alunos em um rigoroso programa acadêmico, bem alinhado com as normas, que pretende fixar cada criança no caminho para a faculdade.

A única exceção das escolas “sem desculpas” é a Match High School, cujo programa partilha de muitas características escolares, incluindo o apoio para as normas, ensaios freqüentes, uma escola com o dia mais longo (das 8h30 às 5h) e é extremamente seletiva nas contratações dos professores, onde tem um trabalho de acompanhamento de ética.

Juntas, as sete escolas educam 2.150 estudantes, apenas 4% dos 57.300 alunos nas escolas públicas de Boston. A porcentagem média de estudantes de baixa renda é de 67%, comparado a 71% nas escolas públicas. Setenta e oito por cento das “charter schools” são de estudantes hispânicos ou afro-americanos, comparado a 76% no distrito como um todo. A maioria dessas escolas opera a baixos custos.

San Rafael, Califórnia – A cidade, localizada no Estado da Califórnia, Estados Unidos, abriga a escola elementar Bahia Vista. Esta escola é a primeira no norte da Califórnia que pretende enviar todas as crianças para a escola. Dos 423 estudantes da Bahia Vista, mais de 90% ou 384 crianças, são hispânicos, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação da Califórnia, segundo os últimos dados de 2006/2007. Na San Rafael Elementar District, 56,7% dos estudantes são de ascendência latina.

Cerca de 30 escolas participam nacionalmente das Universidades “Sem desculpas”. A Aceitação no programa exige uma equipe composta pelo diretor e pelo menos um professor de cada grau.

Na Bahia Vista, cerca de um quarto do corpo docente tem freqüentado as sessões de desenvolvimento profissional para educar os professores sobre o programa.

O pedido é apresentado e em seguida, exige das escolas respostas sobre perguntas e apresenta um vídeo detalhando o que já foi realizado para criar, entre outras coisas, uma “cultura universal de realização”, e planos específicos para continuar o trabalho acadêmico.

Saiba mais

Educação Básica brasileira – A Secretaria de Educação Básica (MEC) zela pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A educação básica é o caminho para assegurar a todos os brasileiros a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Os dois principais documentos da educação básica são: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e o Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 10.172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Educação, que promove estudos, pesquisas e avaliações sobre o sistema educacional brasileiro. Para gerar seus dados e estudos educacionais o Inep realiza levantamentos estatísticos e avaliativos em todos os níveis e modalidades de ensino: Censo Escolar, Censo Superior, Avaliação dos Cursos de Graduação, Avaliação Institucional, Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Exame Nacional para Certificação de Competência (Encceja) e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) foi criado em 14 de abril de 2004, pela Lei n° 10.861. O Sinaes é o novo instrumento de avaliação do MEC/Inep. Formado por três componentes principais: avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes. O Saeb faz pesquisa por amostragem, do ensino fundamental e médio, realizada a cada dois anos.

A Educação Pública do Distrito Federal, em 2007, foi beneficiada com R$ 3.135.399.443,00 (três bilhões, cento e trinta e cinco milhões, trezentos e noventa e nove mil, quatrocentos e quarenta e três reais), de acordo com a LOA – Lei Orçamentária (Lei nº 3.934, de 29 de dezembro de 2006) e a Circular nº 09/2006-SUFIN/SEF-FCDF.  O montante representa acréscimo de 15,64% em relação a 2006. Esses recursos são oriundos de três Unidades Financiadoras: FCDF – Fundo Constitucional do Distrito Federal, FUNDEF – Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização do Magistério e SEDF – Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

Bom exemplo na Escola Classe 104 Norte – “Toda avaliação é válida para saber como está, mas, é imprescindível analisar a realidade da escola”, disse Marcus Costa Vianna, diretor. E adverte  que “devemos ter cuidado para não fazer um ranqueamento de escolas, é perigoso”. Segundo o diretor, fazer ranqueamento é injusto sem analisar o contexto da escola e se a escola tirou uma nota insatisfatória nos exames do MEC, não significa que a escola é ruim, mas é o reflexo de como aeducação é tratada no país. A escola situada na Asa Norte, Plano Piloto do DF, tem cerca de 650 alunos e média de 38 alunos por sala de aula. A escola atende de 4ª a 8ª série. Ao total, 133 alunos de 8ª série fizeram a Prova Brasil. A nota da escola foi 263,17 para 8ª série, em Língua Portuguesa e 286,19 em Matemática. A média do estado foi 238,00 para Língua Portuguesa e 252,20 para Matemática. O especialista em educação, Carlos Henrique Araújo explica que a média mínima esperada era 300 para a 8ª série.

            A escola classe realiza o projeto Revivendo Êxodos, onde os alunos viajam para locais especificados pela diretoria e voltam caminhando, com o objetivo de conhecer as cidades históricas. O projeto começou em 2000, quando Marcus Vianna era diretor do colégio Setor Leste, em Brasília. Os alunos estudam o meio ambiente, fazem pesquisas de campo, tem aulas de matemática e patrimônio histórico. O projeto tem parceiros como o Corpo de Bombeiros do DF, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Polícia Ambiental, entre outros. No ano passado, os alunos viajaram 400km de ônibus e voltaram a pé, nos trechos onde era possível. Este ano, em outubro, os alunos viajarão para Cristalina – GO.  O diretor conta que 80% dos alunos vem de fora do Plano Piloto. Os estudantes vêm de Águas Lindas (GO), Luziânia (GO), Gama, Sobradinho, Itapuã e Paranoá, no DF.

            Enquanto a direção da escola e os professores estão preocupados com o desenvolvimento educacional das crianças, os alunos estão preocupados com outra coisa. “Eu acho a escola ruim porque os professores não deixam a gente usar boné na sala”, conta o aluno Robson, 13, nome fictício. “A educação também tem que vir de casa. Ultimamente, os pais não têm colocado rédeas curtas para os filhos. Já veio pai reclamar que eu tomei o celular de um aluno que atendia dentro da sala de aula”, desabafa Vianna.

           Triste história da Escola Normal – A primeira Escola Normal do Brasil foi criada em 1835, em Niterói, no Rio de Janeiro. O Curso Normal tinha o objetivo de formar professores para atuarem no magistério de ensino primário e era oferecido em cursos públicos de nível secundário (hoje Ensino Médio). A partir da criação da escola no Município da Corte, várias Províncias criaram Escolas Normais a fim de formar o quadro docente para suas escolas de ensino primário. Desde então o movimento de criação de Escolas Normais no Brasil esteve marcado por diversos movimentos de afirmação e de reformulações, mas não obstante a isso, o Ensino Normal atravessou a República e chegou aos anos 1940/50, como instituição pública fundamental no papel de formadora dos quadros docentes para o ensino primário em todo o país.

O presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Distrito Federal (SinproEP-DF), Rodrigo de Paula, formado na Escola Normal do DF e ex-presidente do Grêmio da mesma, lamenta a sua extinção. “A escola normal é um centro de ensino de excelência, onde formava bons professores com experiência e estágio. Infelizmente o governo fechou”, lamentou o professor.

 Luz no fim do túnel – Apesar do caos educacional em nosso país, especialistas ainda tentam ter um pouco de otimismo, e acreditam que com esforços verdadeiros a educação pode mudar. O principal investimento imediato deve ser na qualidade da formação dos professores, segundo João Batista Oliveira. A péssima formação vira um círculo vicioso: o professor não aprende com qualidade e não passa ensino de qualidade para os alunos, que poderão ser os próximos professores. Na prática,  corre-se o risco de ensinar teorias formuladas há anos, histórias que são clichês, principalmente na matéria de História. As teorias matemáticas, físicas, químicas são decoradas, e os próprios professores não entendem as teorias que ensinam, segundo Carlos Henrique Araújo. Para o deputado distrital Rogério Ulysses (PSB-DF), deve-se identificar onde estão os pontos mais graves na qualidade e desenvolver uma solução de longo prazo.

           O presidente Luís Inácio Lula da Silva lançou o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica. Por meio desse plano, o docente sem formação adequada poderá graduar-se nos cursos de primeira licenciatura, com carga horária de 2.800 horas, mais de 400 horas de estágio. O Plano de Formação é destinado aos professores em exercício das escolas publicas estaduais e municipais sem formação adequada à LDB. O Governo Federal deve investir R$ 1 bilhão para por o plano em prática e oferecerá mais de 330 mil vagas em 21 estados brasileiros. Os cursos deverão ter início no segundo semestre de 2009 e as outras entradas previstas nos anos de 2010 e 2011. As instituições formadoras que participam do plano receberão recursos adicionais do Ministério da Educação, num montante de R$ 700 milhões até 2011 e R$ 1,9 bilhão até 2014. Seguindo o pensamento de investimento na formação do professor, dos especialistas em educação, existe a possibilidade de um salto na qualidade do ensino em torno de 10 anos.

Garbarino Photo

 

A educação liberta do conceito do “ser violento”

Entrevista com James Garbarino

 O especialista e escritor americano James Garbarino (Loyola University, EUA) participou de missões para a Unicef que avaliaram o impacto da Guerra do Golfo em crianças no Kuwait e Iraque e ainda serviu como consultor para programas de atendimento a crianças refugiadas vietnamitas, da Bósnia e da Croácia. Garbarino já trabalhou como consultor inclusive para o FBI. Em entrevista fala sobre o papel de todos ao lidar com a violência que atinge as crianças.

 Fale! Brasília – O Senhor estudou o impacto da guerra do Golfo sobre as crianças. Quais suas conclusões? No Brasil, especialistas consideram a realidade das favelas do Rio de Janeiro ou de outras capitais como sendo verdadeiras guerras. São situações que podem ser comparadas?

 James Garbarino – Eu regularmente falo das “zonas urbanas de guerra” no contexto em que comparo a violência urbana dos EUA e a violência política experimentada em verdadeiras zonas de guerra. Eu acho que existem paralelos e similaridades, particularmente na experiência de trauma e ” indisponibilidade psicológica” dos pais traumatizados sentida por algumas jovens crianças. E, alguns adolescentes em zonas urbanas de guerra também se vêem como soldados de certa maneira. Pesquisas em favelas relatam que a maioria das famílias encontram maneiras de lidar e cuidar de seus filhos quando eles estão novos, mas muitas vezes os “perdem” quando entram na adolescência e entram para o sistema de gangues.

Fale! Brasília – De que forma a Educação pode minimizar o impacto da violência sobre as crianças?

James Garbarino  – A Educação pode focar em alternativas de ensino que possam lidar com a violência e recursos psicológicos para ajudar as crianças a lidarem com as ameaças postas pelos traumas crônicos. Este é o foco do meu livro de 1922 “Criança em Perigo: lidando com as consequências da violência na comunidade”.

Fale! Brasília – O senhor diz que os adolescentes estão cada vez mais violentos. Por que isso acontece?

 James Garbarino – As influências que estimulam o comportamento violento são “idéias” sobre a violência e “práticas” de comportamento agressivo. O impacto da violência nos meios de comunicação em massa é significativo, nesse aspecto, assim como o efeito da violência nas ruas e a desumanização da linguagem.

Fale! Brasília – Qual o papel das escolas na prevenção à violência?

James Garbarino – As escolas podem ser centros para lidar com traumas, ao reconhecer e intervir nos maus tratos às crianças (a maior “causa social” de comportamento violento delinquente das crianças) e ao ensinar como resolver conflitos de maneira não-violenta.

Fale! Brasília – As meninas estão mais violentas que os meninos?

James Garbarino – Meu argumento é de que a diferença que havia entre o comportamento agressivo dos dois está diminuindo (pelo menos na América) por que as idéias sobre a violência estão dando validade à agressividade feminina mais agora do que no passado.

Fale! Brasília – Os pais têm dificuldades de desempenhar o papel de educadores?

James Garbarino – Os pais são sempre professores. O mais importante é se eles têm consciência disso e como eles vão cumprir essa tarefa de ensinar aos filhos deles.

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